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Projecto
Caracterização da Região
Movimentos de Massa
Sismos
Tsunamis
Análise de Risco
Conferência
Caracterização Sócio-Urbanística Caracterização Geo-ambiental

Caracterização Sócio-Urbanística

Autores:

Márcia Muñoz1, Cláudia Pinto1, Sandra Efigénio1, José Vicente1

 

1 – Departamento de Informação Geográfica e Cadastro – Câmara Municipal de Lisboa

Objectivo

Caracterizar do ponto de vista social e urbano a Cidade de Lisboa e o seu enquadramento na Área Metropolitana de Lisboa.

Enquadramento

O concelho de Lisboa, elemento central da Área Metropolitana de Lisboa (AML) e capital de Portugal, insere-se no distrito de Lisboa.

Em termos de Unidades Territoriais (NUTS), o concelho de Lisboa integra-se na chamada Região de Lisboa e Vale do Tejo (NUTS II) e na sub-região da Grande Lisboa. Geograficamente localiza-se na margem direita do rio Tejo, junto à foz, e a 38º 42' 30,5'' de latitude Norte e a 9º da longitude 0 de Greenwich. Encontra-se delimitada a Sul e Nascente pelo rio Tejo. A Poente confina com o concelho de Oeiras e a Norte com os concelhos de Loures, Amadora e Odivelas.

O Concelho de Lisboa abrange uma área de 84 km2, e possui 53 freguesias.

POPULAÇÃO RESIDENTE

Optou-se nesta fase dos trabalhos por efectuar uma análise mais alargada das variáveis demográficas da população e do parque edificado da Cidade de Lisboa, tentando no máximo abranger as diferenças ocorridas entre 2 décadas (1981-2001). Os concelhos que constituem a AML norte detinham quase o triplo da população residente na margem sul, e só Lisboa concentrava perto de 20% da população metropolitana. Os concelhos limítrofes da AML detinham as menores percentagens de empregados ou estudantes: Alcochete (0,5%), Azambuja (0,7%), Sesimbra (1,3%) e Montijo (1,4%).

Após uma primeira análise aos dados, foram efectuados alguns mapas síntese aos quais se faz referência.

Em Março de 2001 residiam em Lisboa aproximadamente 565 mil pessoas, o que correspondia a 21% da população total da área metropolitana. Na década de 90 (1991-2001) registou-se uma diminuição acentuada de residentes – quase 15% do total registado em 1991. Trata-se de uma tendência que se tem vindo a verificar desde a década de 80, no auge dos processos de suburbanização que se instalaram desde a década de 60.

Entre as duas décadas existiu um acentuado decréscimo populacional sendo que em 1981 residiam em Lisboa 807.937 habitantes, em 1991 cerca de 663.394 e em 2001 cerca de 564.657. Prevê-se que os censos de 2010 demonstrem a continuação desta tendência. Esta tendência é evidenciada nos mapas das figuras 1, 2 e 3 onde se nota claramente um 'abandono' populacional das zonas centro/sul da Cidade e a sua concentração em freguesias de cariz puramente habitacional como Marvila, Santa Maria dos Olivais, Lumiar, Benfica e São Domingos de Benfica.

Enquanto o padrão de decréscimo da população residente desde 2001 a 2007 no Concelho de Lisboa se mantém, já na região da Grande Lisboa esse padrão inverte-se observando-se até um aumento de cerca de 20.000 habitantes (presentemente 2 milhões de hab. na área da grande Lisboa).

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Figura 1 - População residente em 1981 Figura 2 - População residente em 1991 Figura 3 - População residente em 2001

 

DENSIDADE POPULACIONAL

Em termos do Indicador da densidade populacional verifica-se uma clara diferença relativamente ao indicador anterior (População Residente). Aqui as freguesias com os valores mais baixos de densidade populacional são as que anteriormente tinham maior número de população residente. Não obstante poder verificar-se a tendência do 'abandono' populacional de algumas freguesias do centro/sul da Cidade, quer na zona da baixa, quer no eixo das Avenidas Novas.

Os valores de densidade mais elevados encontram-se em zonas do centro histórico nomeadamente Santo Condestável, o Bairro Alto, Mercês, Santa Catarina e Encarnação, São Jorge de Arroios, Penha de França e Anjos, Graça, São Cristóvão e São Lourenço, Socorro, São Vicente de Fora, São Miguel e Santiago. Destacando-se a pequena freguesia de São Miguel onde o valor de densidade populacional em 2001 era o mais elevado. Também neste indicador o saldo é positivo para a Grande Lisboa desde 2001 a 2007, se bem que não demasiadamente acentuado (aumento de 10.9 hab por Km2).

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Figura 4 - Densidade Populacional em 1981 Figura 5 - Densidade Populacional em 1991 Figura 6 - Densidade Populacional em 2001

 

Estes valores não incluem a ocupação diária da cidade, resultante dos movimentos pendulares dos municípios da área metropolitana.

POPULAÇÃO POR FAIXA ETÁRIA (dos 0 aos 19 anos)

Evidencia-se pela análise aos dados e visualização dos mapas abaixo que numa década esta faixa etária diminuiu drasticamente, e é bem visível essa diminuição nas freguesias do centro histórico da Cidade e no eixo das avenidas novas. Os valores mais elevados concentram-se nas freguesias mais periféricas e de cariz mais residencial.

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Figura 7 - Faixa Etária 0-19 em 1991 Figura 8 - Faixa Etária 0-19 em 2001

 

POPULAÇÃO POR FAIXA ETÁRIA (dos 20 aos 64 anos)

Não são tão evidentes em mapa as desigualdades tão marcadas na variável anterior, no entanto continua a acentuar-se a concentração de população residente nesta faixa etária em freguesias mais periféricas.

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Figura 9 - Faixa Etária 20-64 em 1991 Figura 10 - Faixa Etária 20-64 em 2001

 

POPULAÇÃO POR FAIXA ETÁRIA (dos 65 ou mais anos)

Lisboa é a cidade portuguesa mais envelhecida (23,6% da população residente com 65 ou mais anos) e uma das capitais da UE com maior percentagem de idosos entre a sua população residente.

Este mapa parece um negativo da faixa etária dos 0 aos 19 anos. É verdade que continua a existir desde 1991 uma concentração da população mais envelhecida nas freguesias do centro histórico e freguesias envolventes. Evidenciam-se freguesias como Alvalade, Sé, entre outras com os valores mais elevados de população residente na faixa etária dos 65 ou mais anos. É visível no mapa uma distribuição da população envelhecida por freguesias mais periféricas como Santa Maria dos Olivais, Santa Maria de Belém, Benfica e São Domingos de Benfica.

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Figura 11 - Faixa Etária >65 em 1991 Figura 12 - Faixa Etária >65 em 2001

 

Quanto aos valores da grande Lisboa, não são tão marcadas as diferenças entre grupos etários notando-se um envelhecimento global, mas com valores mais ténues, cerca de mais 10.000 hab na faixa etária 65 anos ou mais em 2007 comparando com 2005. A diminuição da faixa etária mais jovem é também ténue, podemos concluir de certa forma que o padrão que se verifica no Concelho de Lisboa também se encontra na área da Grande Lisboa.

Existe na AML, relativamente ao resto do país, uma sobre-representação no escalão dos 40 aos 65 anos e uma sub-representação de adolescentes. Constata-se um centro de gravidade na geração hoje com cerca de cinquenta anos, que terá demandado a AML a partir dos anos 60, em busca de melhores condições de vida, bem como os filhos, uma segunda geração hoje em torno dos 30 anos.

DINÂMICAS URBANAS

Assistiu-se em Lisboa a um êxodo dos mais novos para a periferia, abandonando o centro às actividades terciárias, o que se traduziu numa perda média anual da sua população de cerca de 2,3% entre 1981 e 1998: o índice de envelhecimento que tem vindo a subir acentuadamente, distingue precisamente Lisboa (com quase o dobro do país) do resto da AML (abaixo da média), se bem que essa tendência pareça estar a estabilizar nos anos mais recentes.

A população economicamente activa representa menos de metade da população residente (48%) e é maioritariamente feminina. Territorialmente, a coroa periférica da cidade é mais jovem, nomeadamente o nordeste da cidade;

O centro é a área em que a população está mais envelhecida, havendo uma forte tendência para o envelhecimento de outras áreas da cidade;

O parque edificado recenseado em Lisboa é constituído por cerca de 56 mil edifícios residenciais, sendo que ¾ deles (77%) têm excessivamente função residencial.

Trata-se de um parque maioritariamente construído antes de meados do século passado.

Uma grande percentagem deste parque evidencia grandes necessidades de reparação ou encontra-se mesmo em estado muito degradado.

São as freguesias do centro histórico que possuem maior quantidade de edifícios muito degradados ou a necessitarem de grandes reparações.

Em 2001, a AML detinha cerca de 1 milhão e 296 mil alojamentos, que representavam 28% do total do país e apresentava uma densidade de 406 alojamentos por Km2, enquanto no país aquele valor era de apenas 55 alojamentos por Km2.

EMPREGO

O emprego é marcadamente terciarizado na AML: sector primário quase inexistente e secundário abaixo da média do país, contrariamente ao terciário.

EQUIPAMENTOS

Lisboa apresenta o máximo de estabelecimentos em todos os níveis de ensino e o valor máximo de equipamentos de saúde, dado ser o concelho mais populoso da AML (a AML dispõe de cinco camas de hospital por mil habitantes, capacidade superior à do país).

Lisboa possui também a maior média de médicos por habitante (13 médicos por 1000 hab.) – devendo isto ser em parte relacionado com o número e dimensão dos hospitais.

TURISMO

As tendências globais do sector apontam para um aumento do turismo de city break, acompanhado por uma maior concorrência entre cidades e sofisticação na estruturação da oferta, o turista que visita Lisboa vem predominantemente por este tipo de turismo e descobre uma cidade muito acima das suas expectativas, afirmando a maioria pretender voltar à região. Lisboa necessita de integrar os diversos conteúdos turísticos e trabalhar ao nível da qualidade do espaço urbano e dos serviços, para desenvolver um novo patamar de crescimento. O número de turistas que visita Lisboa tem sido superior ao de grandes cidades, mas abaixo das melhores práticas.

Dever-se-á melhorar a qualidade urbana, com prioridade de intervenção nas microcentralidades (incluindo eixo ribeirinho), ao nível de:

Nos últimos 5 anos verificou-se que as dormidas dos hóspedes nacionais aumentaram, embora a um ritmo inferior ao dos hóspedes não residentes, ao mesmo tempo que se registou um incremento das viagens ao estrangeiro dos turistas residentes. Esta situação inverteu-se em 2008, momento em que, num contexto económico recessivo, a importância relativa das viagens turísticas dos residentes ao estrangeiro se reduziu, por oposição ao aumento das viagens turísticas com destinos nacionais. Ao mesmo tempo, as dormidas dos hóspedes não residentes nos estabelecimentos nacionais classificados registaram uma quebra.

Lisboa apresenta a maior parte da oferta de alojamentos turísticos – cerca de 70% do total da AML no que respeita aos hotéis e 80% no que respeita às pensões.

MOBILIDADE

Segundo os dados do último Recenseamento Geral da População, em 2001, cerca de 1 milhão e 381 mil activos empregados e estudantes com 15 ou mais anos, utilizavam o espaço da Área Metropolitana de Lisboa (AML) nos seus movimentos entre o local de residência e o local de trabalho ou estudo. Deste universo, 95% residiam e trabalhavam ou estudavam na própria AML. Dos restantes 5%, cerca de 47,5 mil residiam fora da AML e dirigiam-se a este espaço para nele exercerem a sua actividade de trabalho ou estudo, e apenas cerca de metade deste valor (24 mil), residindo na AML se movimentavam ao seu exterior para estudar ou trabalhar.

Neste sentido, a AML registava, em 2001, um balanço positivo de movimentos pendulares relativamente ao restante território nacional, ou seja, assumia-se como uma unidade polarizadora.

A análise centrada nos movimentos interconcelhios de âmbito metropolitano, em 2001, evidenciava Lisboa enquanto principal destino para a grande maioria dos concelhos da AML. A importância de Lisboa nos destinos dos concelhos era de 48% para Odivelas, 45% para a Amadora, seguindo-se-lhes Loures (43%) e Oeiras (42%). No outro extremo, situavam-se os concelhos de Setúbal (8%), Azambuja (10%) e Palmela (10%). Refira-se ainda que os concelhos de Palmela e Alcochete eram os únicos da AML para os quais Lisboa não constituía o principal destino dos movimentos interconcelhios, sendo este lugar ocupado por Setúbal e Montijo, respectivamente.

A mobilidade quotidiana dos trabalhadores e dos estudantes dos locais de residência para os locais de trabalho ou estudo reflectem-se na diferente ocupação do espaço da AML, nos diversos momentos do dia. De facto, a georeferenciação de empregados e estudantes segundo o critério de residência remete para um padrão de ocupação nocturna do território, enquanto a utilização do critério do local de exercício da actividade releva a ocupação diurna do mesmo território. Assim, nos espaços mais atractivos em termos de emprego ou estudo verifica-se uma grande concentração durante o dia em oposição à maior ou menor desertificação nocturna.

 

 

Referências